domingo, 13 de março de 2011

Da dança e manifestação pessoal.

Não parece muito meu estilo falar sobre algo desse gênero, meu texto costuma tratar de reflexão e sentimento. Mas creio que a dança cabe perfeitamente nessas categorias. O que pode causar estranheza, devo admitir, vai ser meu tom bem mais lúdico e menos frio, mas há dias de humor para isso também e este é um desses.

Não sei dançar. Não no sentido tradicional de se movimentar de forma elegante ou conexa acompanhando um ritmo, nem no sentido de ter alguma noção do que estou fazendo, mas talvez justamente por ter que quase sempre ser um observador eu tenha aprendido a admirar quem sabe dançar. Dança é música feita com o corpo e música é a arte sublime.

Lembra a oratória, de certa forma. Em vez de palavras, movimentos desenham um discurso e contam uma história. Convencem, comovem, dominam. Não danço, mas falo e cultivo a idéia de haver equivalência. Não falar por falar, isso é o mesmo que um péssimo dançarino tentando impressionar com sua falta de habilidade. E de certo, alguns discursos me lembram uma "dança do joelho junto" em palavras: risíveis, no máximo.

Falo bem sério dessa intimidade entre fala e movimento. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de curiosidade sobre semiótica concordará comigo que minha associação é no mínimo justa. Não só o movimento coreografado, mas o involuntário também. O tarólogo sabe disso, o flertador domina essa segunda língua.

Isso tudo listado apenas para clarear as idéias. É exercício divertido admitir uma falta de habilidade apenas para mostrar que possuo uma outra equivalente. pelo menos eu aprecio a noção de dançar com palavras e gestos pequenos.

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